quinta-feira, 12 de julho de 2007

De casa nova

Depois de uma semana em Düsseldorf ainda nao tenho uma opiniao muito exata sobre a cidade.
Estou gostando, mas ainda nao sei ao certo como a sociedade funciona aqui.

Uma coisa é clara, há uma diferenca - especialmente na forma como se vestem. As pessoas aqui sao muito elegantes e preocupadas com a aparencia. Se isso é sinonimo de futilidade também é uma pergunta que precisa de resposta!

Düsseldorf é a terceira cidade em que moro na Alemanha. Desta vez, alline! Finalmente sozinha, sem ter que dividir o meu banheiro.

O apartamento é uma graca e tem varanda, jardim e até mesmo uma churrasqueira - o que estou achando um luxo. E mais, tenho uma faxineira. Isso sim é o cúmulo do conforto na Europa! Vantagens de ser bolsista da Fundacao Heinz-Kühn.



O curso no Goethe Institut comecou a todo o vapor e estou adorando. Tenho a nítida nocao do aprendizado.

Também estou tentando me empenhar em falar mais e correto e tenho estudado todos os dias à noite.

A única reclamacao é sem dúvidas de Sao Pedro. Onde já se viu chamar isso aqui de verao? O povo passou 10 meses repetindo na minha cabeca que o verao era quente e nao sei porque acreditei nisso.

Fui ao Brasil, investi uma grana em biquinis, sapatos, cangas e agora vai tudo ficar mofando no meu armário porque a temperatura nao passou de 20 graus na última semana.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Orgulho gay

Em Colonia me deparei com uma parada gay.

Homossexuais tomaram as ruas da cidade, muitos deles usando fantasias ou vestidos como dragqueens.

Um dos aspectos que mais chamaram a minha atencao foi o orgulho gay mesmo.
Acho que nós, mulheres, temos muito o que aprender com os gays porque quando eles soltam a franga nao teem medo das cores, dos decotes, da maquiagem, nao teem medo de serem femininos.

E nós, muitas vezes, ficamos nos reprimindo sem coragem de usar um esmalte vermelho, ou um penteado mais ousado.
Entao fiquei admirando a coragem deles e pensando naquele vestido frente única que comprei por centenas de reais e só tive coragem de usar no Natal, com a família... porque?
A parada pedia igualdade de direitos legais entre casais heterosexuais e homosexuais. Gente, nada mais justo. É tudo gente! Uma vez que se pode casar....
Um momento bem lindo foi o do grupo que se vestia de branco com as fitinhas vermelhas de combate às DST.
Poxa, a mínima consciencia que uma pessoa tem que ter na vida: com saúde nao se brinca!

Valeu a experiencia.

terça-feira, 5 de junho de 2007

No ritmo de Morro

A pressão em Salvador estava muito grande para alguém que precisa de férias.

Queria sossego e não suportei tanto trânsito, pedintes, ambulantes.


Depois da visita obrigatória ao Pelourinho, peguei o catamarã e vim para Morro de São Paulo.


Isso sim é um paraíso!



Encantei de tal forma que adiei a passagem e fico aqui até na quinta.


Só então sigo para Beagá para matar a saudade da família.


Por hora, curtição total!!!

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Em Salvador, 28 graus

Uma alegria contagiante e tipicamente brasileira tomou conta do meu coração no momento em que as rodas do avião da Condor tocaram o solo da terrinha.

Impossível traduzir em palavras o inesplicável. Mas posso tentar dizendo que estou com um bom humor insuportável!

Em Salvador, 28 graus e no meu astral também - com previsão de altas a partir de amanhã que será o primeiro dia de praia.

Mesmo com as favelas, todos os nossos problemas sociais que estão na cara, a violência e tudo o que é defeito de brasileiro, amo minha terra e simplesmente fico feliz quando estou aqui.

Assim, sem nenhum motivo especial.

Vim para um mês de descanso, sendo cinco dias na capital baiana e o resto em casa em Beagá.

A viagem foi tranquila, na medida do possível porque 10 horas num avião é sempre duro!

Vou fazer aqui um diário de bordo e prometo fotos o mais breve possível, já que estou poderosa de câmera nova.

Já adianto que a hospitalidade dos baianos não tem Mastercard que pague.

Hoje foi dia de comer acarajé, comprar havaianas e tomar banho demorado.

Amanhã, o passeio será na Praia do Forte. Vou dormir cedo porque o trajeto é looongo. Inté.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Balada bacana

Gente, a festinha de despedida foi super legal.

Teve batidas brasileiras de vodca com leite condensado, que fizeram muito sucesso, e muita gente bacana.

35 chegados vieram dar um beijinho da dupla brasiespanha e até a polícia foi chamada para baixar o volume - mas nada de barracos.



Em breve divulgarei as fotos.

Já estou com saudades da badalacao...

sábado, 19 de maio de 2007

Last Shift

Hoje vim trabalhar com o coração carregado de saudades. É meu último dia de trampo na DW este ano, depois de 10 meses.

Então, vim no trem me despedindo do itinerário. Comprei a última coca, o último McDonalds. Na minha cabeça passa um filme. Cheguei aqui tão tímida, tão pequenina perto do monstro que é esta empresa.


Nunca vou me esquecer do corpo todo arrepiado quando parei diante da Deutsche Welle pela primeira vez. Pensei, putz, como foi que consegui esse trabalho?

Era um estágio, que virou emprego, que abriu portas, que ficará na lembrança, que poderá ser retomado, quem sabe?

Aqui aprendi sobre tecnologia, relacionamento interpessoal com comunicação com alto nível de ruído, tradução, alemão, jornalismo, guerra, conflito, paixão, trabalho, muito trabalho. Noites em claro, dias a fio. E hoje cheguei na ponta de um fio querido, branco, iluminado.

Pessoas, muitas pessoas marcaram esta fase da minha vida. Uma lição para repassar aos filhos: o racismo é uma merda! A xenofobia, uma grande bobagem.
Bem, a missão foi cumprida a contento da minha parte. Para o futuro, fica o coração aberto e vão comigo as experiências maravilhosas de fazer rádio a cores!

Rococó

Durante meses, em meu percusso de trabalho Colônia-Bonn, passei em frente ao Palácio de Brühl - residência do príncipe Clemens August.

Só no final de abril fiz a primeira visita a este que é um dos patrimônios históricos da Alemanha, tombado pela Unesco.

Foi uma boa escolha, já que o jardim deste castelo é um maravilhoso exemplar da arquitetura clássica francesa e estamos na primavera.

O caso é que olhando por fora, me sentia atraída, mas nao percebia como este é um lugar especial.

Bem, bastou a primeira visita para compreender o porquê. O palácio de Augustsburg é um dos mais belos exemplos da arquitetura de palácios do século XVIII. Figura entre as primeiras criações relevantes do estilo rococó e durante mais de meio século serviu de modelo para um grande número de residências reais alemãs.

É resultado da reforma das ruínas do castelo que servia de residência para os arcebispos de Colônia, atendentdo à vontade de Clemens August. O local é estratégico, fica metade do caminho entre Bonn e Colonia, para comodidade do príncipe que tinha sua residência oficial em Bonn. Com o transporte precário do século XVIII, Brühl foi uma boa solução.

Demorou mais de 40 anos para terminar a reforma e o príncipe morreu antes de ver a obra concluída. Lá dentro é possível compreender os motivos da demora.

Não é permitido fotografar por dentro, mas há uma escadaria que é a coisa mais linda do mundo! Toda trabalhada, do corrimão às paredes e ao teto, uma obra de arte de encher os olhos que contou com a contribuição de diversos artistas e arquitetos. Tive saudades das aulas de literatura onde tentaram, milhares de vezes, me fazer compreender e me apaixonar pelo rococó. Só agora foi possível para mim. Quis ser a rainha!

Um detalhe interessante que a guia nos explica é que Clemens August ficava até três meses sem tomar banho. Gente, achei que tinha entendido errado, mas é isso mesmo. No século XVIII, segundo a guia, as pessoas acreditavam que a água trazia doenças. Por isso, neste palácio não há banheiros. Uma banheira ficava guardada e de três em três meses era usada para o banho do August. Mais do que água, o fofo se lavava com mel e no resto dos dias, usava cremes para a higiene pessoal. Devia feder horores...

E para as outras "necessidades", outra curiosidade chocante: eram usados vãos próximos às janelas. Um cortina garantia a intimidade e vasilhas ficavam lá, à espera do usuário - inclusive nas festas.

O palácio também não tem cozinha. A comida era feita em outra construção do lado de fora e trazida na hora das refeições. Sim, acabava sendo servida, na maioria das vezes, fria. Mas, isso era comum na época e as pessoas não se importavam.

O palácio pertenceu a vários reis e nobres.

O August era exótico e mandou fazer um jogo de porcela especialmente para entreter os convidados. Os pratos são decorados com insetos em alto relevo para assustar as damas e abrir espaço para as piadinhas do príncipe. Criativo, não?

Até que a parte da comida ainda vai, mas a do banho, cá entre nós...

Na Segunda Guerra Mundial o palácio foi atingido e seriamente danificado. Logo em seguida começou a ser recuperado. Até hoje passa por frequentes restaurações. Uma visita gostosa, uma viagem no tempo e pelo mundo dos nobres é uma das maravilhas da Alemanha.

Nota: ****

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Inacreditável!!!

Gente, tomei o cano na Alemanha!

Parece mentira, também tive dificuldade em acreditar, mas tomei um suuuuper cano de mais de mil euros. A empresa através da qual comprei minha passagem, vinda e ida, simplesmente fechou as portas.

Liguei hoje pela manhã para confirmar minha viagem e fui informada de que "these flights are not working anymore". Simplesmente perdi o alemão, o inglês, o português, o rumo!

Resultado, tive que comprar outra passagem, com meu suado dinheirinho. E vou "procurar os meus direitos" para ver se consigo reaver meus euros.

Agora, me diz, a pessoa sai do Brasil para levar o tombo na Alemanha. Fala se não é demais? Estou aqui pensando em jogar na loteria e não sair de casa tão cedo - vai que cai um raio...

A parte boa da história é que a nova passagem faz escala de cinco calientes dias em Salvador da Bahia - os gringos falam assim e acho um luxo - onde tenho, digamos, um encontro marcado com o sol.

Oxente, bichim, vai ser tudo de bom.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Everybody is envited


We have the feeling that it´s too early to say goodbye,

Cause we still have time for one more party:

THE PERÜCKE BRASILIAN-SPANISH PARTY

Cristiane and Maria will be honoured with your presence at this promising night!!

Make something different with your hair (trägt einfach eine "Perücke" oder mach dir eine shöne Frisur!!) cause we like to exchange new ideas.

Bring something to drink - and have in mind that first kiosk is three blocks far away :)

Put a nice smile on your face and join us!!: People from very different countries have been invited to this "multiculinariche meeting". We would like it to be "ingrasado", "divertido" einfach "toll", "weil wir immer dabei

sind und werden". And because
Cologne has a very special meaning for us and also because we will not be in Cologne to celebrate our birthdays in june, we would like to share it with all of you: VIVA COLONIA!!

Please, confirm your presence until 23 may at crisvieirat@yahoo.com.

Brasilian-Spanish Party
25 May – Freitag
Ab 22Uhr

Klingel: Beate
Roß strasse 25 – Eherenfeld

Köln

U-bahn 3 or 4 until piustrasse haltstelle

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Na Balada

Apenas fotos de nights inesquecíveis em Colônia.

O bloco está na rua, sai de baixo!!!!

Na festa de aniversário do Fernand, em Luxemburgo. Banhada a champs, comandando as pick ups!











Com a Nina no show do Lenine. Tudo muito light, sem álcool e pela manhã. Porém, direto do trabalho depois de virar a noite na DW. Haja energia!!










E com o Tobias num restaurante português em Bonn.

Ainda faltam muitas pra descarregar, aos poucos vou publicando e vocês vão conhecendo os amigos :).




quarta-feira, 2 de maio de 2007

Mundo da fantasia

Olha, não sei de onde tirei isso, mas há uns dois anos os famosos me visitam à noite. Frequentemente sonho com atores, músicos, esportistas etc. Sempre pessoas muito conhecidas. Não apenas homens, mas também mulheres. Nas situações mais unglaublich (inacreditáveis).

Espero que não dê cadeia nem processo falar sobre isso, mas nessas produções mentais noturnas já assaltei um banco com o tenista Guga, peguei carona num Chevette branco com o Henrique Portugal do Skank, fui com a Xuxa levar um poodle ao veterinário e visitei a mansão da Angélica e do Luciano Huck - onde por sinal fui suuuuper bem recebida!

Não vou negar que, apesar de ter me divertido em todos os sonhos, o meu favorito é o mais recente. Sonhei que estava namorando o Henri Castelli. Gente, desculpa, mas tenho esse dom. Acredito no poder da mente e sou capaz de construir momentos fantásticos de prazer apenas com o poder do meu pensamento!

E agora estou descobrindo também minhas habilidades de vidente, porque no dia seguinte a esse 'pesadelo', li na internet que ele e a Isabelli Fontana atravessam um momento difícil. Não é picaretagem, não. É tudo verdade! Agora tenho que acompanhar os sites de fofoca para ver se minhas previsões se confirmam. Se não vencer na vida como jornalista, abro uma tenda de tarot. Mãe Vieira, traz de volta a pessoa amada mesmo depois de casada!

O triste é apenas o fato de que já tentei, forcei a cachola, mas não consigo me lembrar o que fiz com o dinheiro... Ando pensando seriamente em ligar para o Guga e perguntar, quem sabe a memória dele é melhor que a minha?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Da pesada

Desde que cheguei à Alemanha venho tentando encontrar a minha turma. Acho que agora posso dizer que encontrei a minha tribo. E isso graças aos espanhóis, acredita?

Pergunto isso porque eu mesma não pensava que seria assim.

Na verdade, devo confessar que saí do Brasil meio farta de algumas coisas que achei que faziam parte do JLS, Jeito Latino de Ser, e continuo pensando isso! Então, corri deles - do povo latino.

Até agora, não visitei nenhum país latino. Nem Roma tinha sido inspiração para mim, tamanha minha impaciência. Admito que este probelma já foi superado e agora estamos planejando a visita ao Vaticano.

Mas, sabe de que estava fugindo? Entre outras coisas, de mim mesma. Então foi bacana porque agora, depois de nove meses de Europa, posso dizer que encontrei um meio-termo para milhares de coisas que me incomodavam profundamente, que estão ligadas ao relacionamento humano, mas enraizadas em minha forma de agir.

Complexo isso. E fantástico trocar o investimento em análise por litros de Kölsch. Porque haja cerveja para tanta teoria de buteco!

Enfim, então agora estou super feliz com meus amigos latinos: espanhóis, italianos (lindos!), e franceses. De quebra, tolero os alemães. É mole?

Foi com o povo do sangue quente que descobri as discos mais show da cidade. Acreditem, aqui também tem uma A Obra, de nome Werkstatt (Oficina). Dois andares, música boa, galera style e temperatura tipo sauna. Não preciso nem dizer que o eletrônico é o som que comanda as pistas até de manhã, né?

Jô, Renatinho, Babão, Pedrosa, Miclos... saudade!

Trier, cidade de Karl Marx

No último sábado, deu a louca e fui com duas amigas conhecer alguma cidade da Alemanha. O destino foi escolhido na Hauptbahnhof (estação central de trem). É que existe um ticket de trem especial para o final de semana, com o qual até cinco pessoas podem viajar dentro da Alemanha por até 27 horas.


Trio parada dura: eu, a norte-americana Tab e a espanhola Maria. Um brinde à Alemanha!




A gente sabia que iria, mas não tinha decido para onde. Observando distância, tempo e vantagens, escolhemos a cidade onde nasceu Karl Marx para ser o nosso destino.

Trier foi fundada no século XVI a.C e é conhecida por ser a cidade mais antiga da Alemanha.


As ruínas romanas se espalham pelas ruas e contam um pouco da história. A Porta Nigra, um dos principais pontos turísticos da cidade, data do século III, era uma estrutura de defesa da Alemanha e é tombada pelo Patrimônio Cultural da Humanidade.

A casa onde viveu a família do criador do comunismo e do movimento operário, Karl Marx, é atualmente um museu, mas não deu para visitar porque já estava fechado quando chegamos. Schade! (Pena!)

A catedral St. Peter é a igreja mais antiga do país.








Por fora, monumental. Por dentro, rica em arte.

A atmosfera religiosa ganhou para mim um significado especial, pois tivemos a sorte de visitar o Holy Rock, uma bata usada por Jesus à qual o público tem acesso de 33 em 33 anos, conforme nos foi explicado no local. Foi realmente uma surpresa emocionante e que despertou meu sentimento de fé.

O passeio às margens do rio Mosela também foi muito gostoso. Pequenas montanhas e muito verde reforçam a beleza da paisagem que foi cenário para conversas profundas e relaxantes antes de cair na night.

Trier está localizada no estado alemão Renânia-Palatinado, na fronteira com Luxemburgo, ao norte da França, às margens do rio Mosela. Há ainda várias outras atrações a se verificar nesta cidade, uma visita que recomendo.

Vale ressaltar que a temperatura vem subindo. Não apenas os dias estão lindos e ensolarados na primavera alemã, como também tem feito um calorzinho. Em Trier, por exemplo, a temperatura ficou em torno de 20 graus.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Visita da Paula

Ela já está de volta ao Brasil, que pena! Mas foi fantástico ter uma amiga de verdade na Alemanha. Quebrou um pouco o gelo do exílio emocional.

Conheci a Paula no colégio Método de Beagá, no Ensino Médio.




Mais de 15 anos depois, estar com ela na Europa pareceu sonho, filme, mágica. E foi mesmo.

A Paula veio para passar a Páscoa, mas não deixei ela ficar mais do que três dias na Alemanha. Achei que conhecer Budapeste era necessário. E foi bárbaro saber que foi a cidade de qual ela mais gostou. Fiquei super orgulhosa do meu bom gosto!

Só sei que adoro ser guia em Colônia. É uma chance para ir aos lugares que mais gosto na cidade, comer salsicha, tomar Kölsch (cerveja de Colônia) e oferecer Weizen (cerveja de trigo).

Com uma amiga de verdade qualquer alegria me diverte, qualquer incidente é engraçado e divertido e, o que é melhor, todos os gatos ficam pardos. Isso com sol então, nem se fala. E foram dias lindos!

E a Paula é uma pessoa cheia de qualidades. Ela é animada, alegre, quase me mata de rir, gosta de balada, cerveja e paquera. Então, já viu, combinou a fome com a vontade de comer.

Marca a nossa amizade o fato de que sempre me perguntam se somos irmãs, porque dizem que somos muito parecidas. Antes, achava isso um pouco delírio do povo. Mas agora já até concordo, somos a cara uma da outra. Acho que é por causa do cabelo, do nariz e da boca e-nor-me, ou?

A Paula e eu fazemos aniversário com três dias de diferença. Ela em 9 e eu em 12 de junho. No ano passado comemoramos juntas e este ano vamos repetir a dose. Preparem-se, vai ser a festa do cabelo!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Lenine em Köln

Qual não foi minha surpresa quando uma amiga alemã me convidou para o show que o Lenine faria em Colônia para a Rádio WDR.

Fui num estabelecimento perto da minha casa, no bairro de Ehrenfeld, chamado Stadtgarten (algo como Cidade Jardim na tradução literal).
O máximo, por vários motivos. Amo o som do Lenine! Ele tem um jeito especial e encantador de lidar com a língua portuguesa e com os acordes.

Também porque o Lenine foi o primeiro artista de consagração nacional que entrevistei em 1999, pela extinta rádio comunitária Savassi FM, de Beagá. Acho que nunca vou me esquecer desse dia, do frio na barriga e de quão simpática é esta pessoa. Também fiquei intrigrada com o fato de reencontrá-lo neste momento de minha carreira. Conincidências existem?

Além disso, a WDR é meu xodó aqui na Alemanha. Pouco antes das eleições presidencias de 2006 fui convidada para traçar um mapa de tendências num programa de rádio chamado Lusomania. Fui caso de amor à primeira vista e logo pensei: ainda vou trabalhar aqui. E podem aguardar porque definitivamente ainda vou.

Voltando ao Lenine, o show foi transmitido ao vivo pela rádio WDR. Domingo, das 11 às 12h.
Acompanhei tudinho, sem uma gota de álcool na cachola. Foi super bacana, como sempre! Ao longo da apresentação, uma jornalista subia ao palco e conduzia uma entrevista português-alemão.

Duas respostas do Lenine foram marcantes. Quando ela perguntou sobre a relação especial que ele sempre demonstra ter com Pernambuco o artista se explicou dizendo achar curioso o nome do estado ter 10 letras sem repetir nenhuma. Uma forma de falar da diversidade do universo pernambucano. O Lenine ainda completou dizendo que o estado é cheio de ilhas ligadas por pontes - nada mais solitário que as ilhas, mas lá elas se comunicam.

Mas a melhor parte da conversa aconteceu pouco a seguir. Foi sem dúvidas quando o Lenine disse que Pernambuco está impresso no DNA musical dele. A conversa era em português e a entrevistadora não entendeu. Ao que perguntou, o que é DNA? Levando a merecida resposta: Ácido Dexóxico Ribonucléico! KKK, perdeu até o rumo de casa. Fim de papo, sequência do show que para além da emissão de uma hora ainda rendeu uma boa série de música brasileira da melhor qualidade.

Tuuuudo de bom!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Oh, Minas Gerais

Antes de vir para a Alemanha, tentei trabalhar ou continuar meus estudos com bolsa nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha, na África, na Índia e no Canadá. Sonhava com a "experiência internacional".

Não consegui. Sempre recebia aqueles e-mails ou cartas informando "você não foi selecionada". Já derramei rios de lágriams por causa disso.

Mas aí, descobri a Alemanha e ela abriu suas portas para mim e continua abrindo. Depois de cumprir com sucesso três contratos na Deutsche Welle, de ter sido a jornalista convidada pela Rádio WDR para analisar as perspectivas das eleições presidencias brasileiras em 2006, minha mais recente conquista é uma bolsa de estudos da Fundação Heinz Kühn.

Em Colônia, às margens do Reno. Esta cidade é a minha paixão na Alemanha. Sou Feliz aqui.


Isso significa que Minas Gerais também está conquistando um espaço na Alemanha e tenho um enorme orgulho disso porque em 25 anos de existência da Fundação, sou a primeira bolsista mineira. Também na Deustche Welle me sinto uma cicerone dos radialistas brasileiros, uma vez que em 23 anos do departamento de rádio em português para a África, sou a primeira brasileira a apresentar as emissões.

Então, as conquistas que o meu país não me permitiu, estou alcançando aqui. Sorte? Não concordo. Porque tudo é fruto de muito trabalho. E se você conhece um jornalista brasileiro desempregado, mas que está sempre estudando e trabalhando, conte a minha história para ele. Para motivá-lo.

Um dia, encontrei na Praça da Savassi (uma das mais movimentadas de BH) um colega de universidade. Deu tristeza. Ele estava vendendo Enciclópédias Barsa. Sabe, esse cara tem tudo para rasgar o diploma. Já tentou tantas coisas e não deu certo.

Então, se por um lado vejo que persisti e alcancei, por outro ficam claras para mim as dificuldades que nós brasileiros precisamos encarar para obter conquistas básicas - como trabalhar na área de formação. Porque quem nasce no primeiro mundo, não precisa "esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque". Quero dizer, o cara vai pra escola, paga pelo governo. se forma quase aos 30 anos de idade, já com mestrado, e arruma um emprego na área dele. Não tem engenheiro vendendo salgado para sustentar a família.

Nada contra os engenheiros que vendem salgado, pelo contrário. São vencedores, driblaram o Estado. Mas é que isso no Brasil enche o s...

Enfim, sou e sempre serei grata à Alemanha, com todos os defeitos. É um país frio? É. O povo é frio? É. É difícil ficar longe da família? É. Sempre serei uma estrangeira aqui? Sim. Mas é daqui que vou levar a bagagem que talvez vá dar o peso necessário ao meu currículo e abrir outras portas do corredor dos horrores que é o mercado de trabalho.

Isso, claro, além da língua que é uma loucura e da indiscutível bagagem pessoal, mas aí já é assunto para um outro dia de sol.

terça-feira, 27 de março de 2007

Antigo olhar novo

Esta semana voltei a ser turista na Alemanha.
Caiu a ficha de que em dois meses estarei voando para casa e no segundo semestre não virei para Colônia.

O efeito foi imediato. Voltei a ser turista, a passear pelas ruas da cidade admirando sua arquitetura, sua atmosfera, sua vida. Colônia pulsa! Num ritmo apaixonante.

A catedral de Colônia não cabe na foto, mas mesmo assim todo mundo que vem aqui fica se contorcendo diante dela, tentando enquadrar...











Desde domingo, o sol voltou a brilhar forte e a temperatura subiu. Estamos com uma média de 15 graus. Um tempo lindo. Uma amiga diz que é clima de janela, porque parece verão mas ainda está bem frio. No fim da tarde, todos vão para os ambientes abertos tirar o mofo. O destino preferido é qualquer lugar às margens do Reno, mas bares e praças estao igualmente lotados até o último raio de luz de cada dia.

E eu agora ando, mais do que nunca, com minha camera em punho. Não posso perder sequer um momento destes novos dias em que o rei dos astros comanda a rotina de minha querida Colônia.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Pensando positivo

Há quem diga que um posicionamento positivo perante a vida faz toda a diferença. Concordo! E procuro buscar inspiração na história de quem alcançou.
Hoje deixo aqui algumas palavras emprestadas de ânimo:

"Se você pensa que pode ou se você pensa que não pode - você provavelmente está certo" - Henry Ford.

"Man sieht nur mit dem Herzen gut. Das Wesentliche ist für die Augen unsichtbar" - Antoine de Saint-Exupéry em "Le Petit Prince".
"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos" - Antoine de Saint-Exupéry em "O Pequeno Príncipe".

segunda-feira, 19 de março de 2007

Ensaio sobre banheiros

Banheiros são sagrados, concorda? Eles demoraram milhares de anos para se transformarem ao ponto de atingir a sofisticação a que temos acesso atualmente, é bem verdade. Mas mesmo para quem nasceu no século passado parece difícil imaginar que a privacidade de um banho relaxante ou mesmo "daqueles" momentos, um dia, num passado distante, não era sequer cogitada.

Vamos aos fatos, uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, no final de 2006, ouviu 718 moradores donos de imóveis em São Paulo e Rio de Janeiro, nas classes de renda A e B. Sobre os banheiros, o estudo revelou que estão presentes da seguinte forma nas residências do público supracitado: 31% dos imóveis têm um banheiro, 45%: dois, 17%:três e 7%: mais de três.

Sou o tipo de pessoa que ficaria imensamente feliz com uma casa com vários banheiros. E você?

No final do ano passado, caí no golpe de uma empresa áerea barateira da Europa e demorei cerca de oito horas da minha casa à de uma amiga em Londres. Poderia ter gastado a metade do tempo. Enfim, cheguei exausta. Fui recebida com uma taça de vinho branco gelado, um banho de banheira à luz de velas e impagáveis momentos de tranquilidade. Não é preciso acrescentar que serei eternamente grata por tamanha gentileza.

Na minha opinião, um bom banho cura o sono e o mau humor, ajuda a mandar a tristeza embora - especialmente se for combinado a uma sessão de lágrimas. Um banho pode ser extremamente excitante, ou simplesmente relaxante. Um banho limpa, perfuma, renova, alegra!

Banheiro é também ambiente para... a satisfação de necessidades biológicas básicas. E quando digo básicas, quero expressar o sentimento de que uma prisão de ventre é raiz para o maior entre os mau humores. Você já teve intestino preguiçoso, preso, inútil? Tem gente, como é o meu caso, que tem 'intestino sensível'. Você está lá no banheiro, concentrada, e alguém bate na porta. Acabou o diálogo. Agora só amanhã. Não pega no tranco. Pode esquecer. Cara, isso me tira a inspiração. Fica difícil retomar o dia.

Tem gente que gosta de ler quando está no banheiro. Não entendo isso. A pessoa pega uma revista, senta no trono e esquece da vida! Se você se inclui no grupo, favor explicar o que se passa.

Mas, independente do gosto do cliente, fazer o que seja num banheiro bonito não tem preco! Ou tem? Ao contrário disso, aqui na Alemanha estou aprendendo - porque acredito que tudo nessa vida pode ser uma questão de aprendizado - a usar toilettes e banheiros. O banheiro, só para tomar banho. E a toilette, só para 'aquilo'. Não bastasse o prelúdio da atividade a ser exercida no momento em que você entra numa toilette, numa casa onde moram mais pessoas, dá uma olhada na foto e me diz se há 'intestino sensível' que funcione numa caixinha de fósforos dessas?




Felizmente, no momento moro numa casa onde o banheiro é todo branquinho, limpinho e cheirosinho. Confesso que minha vida mudou radicalmente, porque agora posso coçar as costas 'naquela hora', se der vontade. Mas um problema que ainda não consegui resolver é o do design dos vasos sanitários. Depois vou incluir aqui uma foto de um modelito muito comum na Alemanha e que rende um prêmio ao designer, aguardem.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Capital Gay

Colônia é considerada a capital gay da Alemanha. Tanto que nos guias, o mundo gay aparece como um destaque, uma característica da cidade. Aqui, eles estão por todos os lugares, tomaram conta meeeeesmo!

Não posso dizer que a Europa não é preconceituosa com os homosexuais, porque não é bem assim. Mas aqui esse problema, o preconceito, é menor. Tanto, que muitos gays se mudam para cá em busca da liberdade de serem quem são - palavras de um deles.

Em Colônia, o que muda em relação ao resto do mundo é o volume - aqui eles estão em grande número. Daí, tudo o que um gay sonha está disponível nesta cidade. Dia desses entrei numa loja que tinha cada coisa ma-ra-vi-lho-sa - entre vestidos, botas e acessórios. É um estabelecimento direcionado ao público gay, mas que acaba por oferecer muito também às mulheres. Elke Maravilha iria pirar o cabeção. Porque vamos combinar, as bichas têm, em geral, um super bom gosto.

As festas do segmento também são constantes. Diria até que uma verdadeira atração turística. Eu, por exemplo, nunca tinha ido, em sã consciência, a uma balada gay até o último carnaval. Um amigo me convidou e aceitei o "desafio".

Uma coisa de louco! Os caras mais bonitos e bombados da cidade estavam lá. Isso foi terrível constatar, mas é a mais pura verdade. Só tinha gay homem nesse lugar, devia ter umas 10 mulheres no máximo. Um detalhe curioso é o banheiro. A fila da portinha Damen (senhoras), estava lotada de barbados. Foi estranho dividir aquele espaço com eles. Por um momento pensei ser a Penélope num filme do Almodòvar!

terça-feira, 13 de março de 2007

Colhendo Frutos


Entrada principal da Deutsche Welle, em Bonn, na Alemanha, onde trabalho.




Chegou a época da colheita, definitivamente.
Hoje é um dia daqueles que a gente não pode deixar passar em branco de jeito nenhum!

Porque hoje fiz uma matéria de duas toneladas. A peça mais importante de minha carreira até o momento. Não pela energia ou fosfato consumidos em sua produção, já que o trabalho foi feito com material do banco de dados da Deutsche Welle. Mas, pela importância do cenário político que a envolve e dos atores que a protagonizam.

Fica a sugestão de dividirem comigo esta alegria, acessando o link ao fim deste texto. Lá, você poderá acompanhar um balanço da visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à América Latina e entender como ele enfrentou o maior desafio que o aguardava: a oposição do líder venezuelano, Hugo Chávez.


Estúdio onde faço as emissões ao vivo. Tecnologia de ponta e de primeira qualidade.




O trabalho já consumiu muito das minhas energias. Quem participou o mínimo da minha vida sabe, é uma das atividades a que mais me dedico e pela qual tenho verdadeira paixão.

De modo que os frutos de 13 anos devotados à Comunicação Social, dos quais oito ao jornalismo, estão amadurecendo. O sentimento é de que todos os domingos, feriados e madrugadas dedicados à profissão valeram à pena sim!

Só para se ter uma idéia do tamanho da empresa, são nove prédios como este.





Esta vitória dedico a meus pais queridos, Carmen Lúcia e Francisco.
Mantra do dia: O futuro é agora!

Link relacionado:
Na página da Deutsche Welle acesse o jornal da noite de 13.03 em http://www.dw-world.de/dw/0,2142,9585,00.html. A matéria começa aos 19 minutos do jornal.

domingo, 11 de março de 2007

À família do anjinho brasileiro, João Hélio Fernandes

Quando acordou, estava num túnel colorido e iluminado.
Ouvia uma música alegre que o atraiu para o outro lado.

Saiu do túnel e se deparou com um imenso campo florido onde havia um parque de diversões.
Ao redor, a fabulosa fábrica de chocolate exalava seu perfume favorito e uma cidade encantada toda construída com paredes de balas coloridas estendia-se até o horizonte.

Logo tinha nas mãos um delicioso algodão doce azul e um chumaco de balões de formatos e cores diferentes.
Outras Crianças também brincavam e ouvia-se o barulho de sua alegria.
Peter Pan e Sininho, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e os Sete Anões, Super-Homem, as Garotas Super Poderosas, Batman e Robin também estavam lá.

Mas foi o Homem-Aranha quem lhe tomou pela cintura e trouxe para dentro da brincadeira.
De mãos dadas, eles cantaram e se divertiram juntos correndo em roda, pique-esconde e jogando baralho.

Entre um sorvete e uma pipoca, uma linda garota de olhos cintilantes lhe presenteou com uma maça-do-amor.

Seu coração estava cheio de amor!
Asssim, Joao Hélio Fernandes, o anjinho brasileiro, foi recebido em sua nova morada. E de hoje em diante, cada dia tera o doce sabor de um conto de fadas.

Cris Vieira, Colônia, Alemanha.

terça-feira, 6 de março de 2007

Um jogador de futebol em minha vida

Estádio de Futebol em Leverkussen, na Alemanha, onde treinam os jogadores do Bayer




Dia desses conheci um quarentão super gato num pub de Colônia. Uns olhos azuis e irresistíveis pés de galinha. Sorridente e bem-vestido, jogou charme e começou um diálogo.

A conversa se deu na única língua que a criatura entende e que me esforço em aprender: alemão. Importante ressaltar que é difícil encontrar uma pessoa que se disponha a compreender minha gramática caótica. Caipirinha vai, caipirinha vem, começou ali um romance.

Entre sentenças sem preposições e frases inteiras sem tradução, descobri que ele já está aposentado. Foi jogador de futebol do MSV Duisburg, um time da primeira divisão do futebol alemão.
Tirou do bolso uma espécie de figurinha oficial do time, em que ele aparece trajando o uniforme do clube, todo suado, em plena performance. Isso, há 13 anos. Uma cena!
Entre os amigos, outro ex-jogador que esteve no Brasil com a seleção da Áustria.
O fato é que, não sei se o nosso caso terminou por causa da dificuldade que tenho em me expressar e entender o alemão, ou se só começou por isso. Por fim, entendi o sentimento das marias-chuteiras: preguiça!
Até que me esforço, mas não tenho muita paciência para futebol

segunda-feira, 5 de março de 2007

Paixão pelas páginas

Livraria Mayersche no centro de Colônia, variedade de títulos e preços de dar água na boca





Certamente uma cena que ficará ainda por muito tempo gravada em minha memória é a do dia em que me deparei com um mendigo do Primeiro Mundo. Ele estava sentado, com seu cãozinho básico (aqui na Alemanha o governo dá um incentivo fianceiro para quem tem um cachorro), à sua frente o tradicional potinho de moedas à espera de doações.

Mas este pedinte me chamou a atenção por estar concentradíssimo na leitura de um livro. Quanto requinte! Arrependi de não ter fotografado. Mas acho que nao faltarão oportunidades.

O fato é que a leitura por aqui é mesmo um hábito muito difundido e popular. A ponto de ser assim, surpreendente. Em Bonn, por exemplo, há uma série de bibliotecas a céu aberto onde as pessoas podem trocar livros, sem burocracias ou atendentes. É uma forma simples de maximizar o aproveitamento de um exemplar, qualquer que seja o assunto.

No Brasil, um bom livro custa caro. Na Alemanha, é muito barato. Quando entro numa livraria aqui, preciso me controlar. Primeiro porque elas são gigantes, mesmo nas cidades menores como Bonn que tem cerca de 300 mil habitantes. Megastores com cinco andares inteiros sobre todos os assuntos. Da culinária moçambicana, passando palas belas artes até os tópicos mais inacreditáveis da auto-ajuda.


Espaço interno da Mayersche - muitos andares, vários assuntos






O triste é nao saber alemão a ponto de ler a biografia do Bill Clinton, que custa a bagatela de 7,95 euros! A vida de Nelson Mandela, em papel de alta qualidade e fotos coloridas, também é negociada a baixo custo, 4,95 euros. Eu, que adoro biografias, quase me mordo. Me coço inteira! Na verdade, tenho ímpetos de comprar - mesmo sabendo que sequer conseguirei transportar essas preciosidades para a terrinha, quiçá degustá-las!

Uma publicação que me deixou babando de curiosidade é uma espécie de Brigit Jones às avessas que vi com várias pessoas. É sobre homens de 30 que se sentem encalhados, mas parece que o texto é descontraído. Assim disse um alemão que conheci no avião. Vê se um dia eu iria imaginar uma coisa dessas? Queria muito poder ler essa pérola.

As livrarias vivem lotadas, mais parecem formigueiros. É uma luta para acessar as prateleiras, principalmente nos fins de semana. E eles saem das lojas com sacolas e mais sacolas, abarrotadas de cultura. Assim, aproveitam o tempo livre ou o tempo morto no metrô ou em alguma fila. Mas não é uma ou outra pessoa lendo no trem, é coisa de 80% dos passageiros. Lêem jornais, revistas, livros, folhetos!

No início, estranhei um pouco, agora já entrei no clima e não saio mais de casa sem colocar na bolsa minha merenda intelectual. Nessa onda, conheci a obra do fantástico Ernesto Sábato. O delicioso "Sobre heróis e tumbas", que foi considerado o melhor romance argentino do século XX, transformou minhas viagens Bonn-Colônia em história de amor e aula de espanhol. No momento, estou em pleno tour pela Alemanha, lendo um perfil com dados da economia e fatos históricos. Estou adorando também. Depois faço a resenha para vocês.

Links relacionados:
Matéria sobre os desabrigados na Alemanha que traduzi para a DW Online - http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2199662,00.html;
Matéria que fiz para a DW Online sobre as bibliotecas abertas em Bonn - http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2240337,00.html

sábado, 3 de março de 2007

Na vida, como nas estações

É curioso como a distância pode unir as pessoas. Estar longe de casa, ser peixe fora d'água, e saber que a presença do outro é temporária são fatores que, muitas vezes, intensificam as relações.

Pelas estações da vida, vamos colecionando amigos e amores...







Na Alemanha descobri a falta que faz um amigo de verdade - para as coisas mais simples, como uma cerveja no fim do dia ou uma balada básica. Porque aqui é cada um por si e ninguém por você. A maioria das pessoas não está aberta a novas amizades e aí a distância entra como um fator que favorece, porque quem está no mesmo barco acaba unindo forças. Assim entraram para o hall de meus amigos queridos várias pessoas, porém muitas estavam apenas de passagem e seguiram viagem no bonde da vida.

Tão longe, tão perto: a amiga Cleide Klock entrou na minha vida pela Alemanha e só irá sair se quiser


Nos últimos tempos encontrei criaturas fantásticas, que participaram do meu dia-a-dia intensamente por um tempo e depois ganharam mundo de novo. Vívian do Rio, Luiz Fernando de Pato Branco e Cleide de Floripa deixaram saudade e espaço para a pessoa que ainda virá, espero!

Foi a distância que impulsionou e fortaleceu essas amizades. Também a distância poderá enfraquecê-las. Não é curioso isso? Porém com um detalhe, não conseguirá apagar a importância que cada um teve na vida do outro. Porque quando alguém soma, não há como subtrair nessa conta. A matematica da vida é nesse sentido mais perfeita.

Por bem, a amizade supera distâncias e mesmo o tempo. Que o diga aqueles que deixei em casa, do outro lado do Atlântico. Gente não desiste de mim que em breve volto, viu?

quinta-feira, 1 de março de 2007

Carnaval, doce folia alemã

Apesar de ter criado este blog após a festa de Dionísio, não resisto a dividir com vocês as impressões do carnaval na Alemanha.

Como diz uma amiga, veja como a água da Alemanha fez bem aos meus cabelos. Ao fundo, a Dom - catedral gótica que é cartão postal de Colônia.

Na cidade de Colônia, onde moro, acontece a maior folia da terra de Goethe e uma das mais famosas e badaladas de toda a Europa. Em comum com a festa brasileira, só mesmo as datas - porém com hora marcada: começando às 11:11h da quinta e terminando oficialmente à meia-noite da terça-feira.

Foliões de vários países tomam as ruas da cidade, sempre fantasiados. Os trajes chamam a atenção pela criatividade. Encontra-se desde cartas de baralho, panos de chão, vacas e piratas, até mesmo um jogo inteiro de xadrez - no qual cada elemento do grupo representa uma peça. Dá para rir e chorar com a qualidade das produções. Por aqui, o que vale é entrar no espírito da diversão.

No carnaval, os alemães investem nas fantasias e capricham na descontração.

Na quinta-feira, as mulheres são as donas da folia. Podem fazer o que quiserem: beijar belos desconhecidos na boca, cortar-lhes as gravatas ou usar as roupas deles. Mas o ponto alto é sem dúvidas a segunda-feira, dia do desfile em Colônia - que este ano reuniu nada menos que três milhões de palhaços, pierrots, abelhas, diabos... Haja Kölsch (cerveja de Colônia) e wurst (salsicha) para encher o bucho de tanta gente!

Não tem samba e nem mulher pelada na avenida. Os europeus são muito comportados, já te contaram né?

Um detalhe saboroso é que dos carros alegóricos são arremessadas barras de chocolates, balas e outras delícias. Algumas tão grandes que, acertando a cabeça de algum distraído, poderiam levar-lhe à inconsciência. Lá embaixo, os prevenidos recolhem os brindes e os armazenam em sacolas. Doçuras para mais de uma semana de degustação.

Haja felicidade no coração para fazer carnaval com temperaturas que, em 2007, chegaram a quatro graus Celsius durante o dia! Este há de ser o motivo que leva a multidão das ruas diretamente para as Kneipes (pubs), mesmo antes do cair da noite. As músicas que embalam o carnaval alemão são clássicos como Viva Colônia e também as canções que ocupam o top nacional. Este ano, o hino da Alemanha na Copa do Mundo, claro, esteve entre as mais tocadas e mais dançadas.

Uma tradição surpreendente para o olhar brasileiro, marcada pela brincadeira, pelo bom-humor e pela alegria, o ti-ti-ti de Colônia entrou para a lista dos meus momentos inesquecíveis na Europa.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Pra começar: pink só nos caracteres




Às margens do Danúbio azul, na parte Peste de Budapeste, interagindo com a expressão artística local.


Afinal, de amarga basta a vida, né gente?

O trabalho de um jornalista é, entre outras coisas, propor reflexões diárias a cerca das notícias. Ao informar ou repercutir sobre um acontecimento, buscamos mostrar as verdades encravadas em cada realidade. E sempre são tantas versões para fatos aparentemente simples. De tanto perseguir a variedade de pontos de vista, acho que me tornei mesmo uma pessoa de cérebro constantemente ruminante. De tudo o que vejo, brota todo um processo de compreensão deste louco mundo.

Exemplo: fiz, há alguns dias, uma maravilhosa viagem a Budapesnte, na Hungria. Foi um final de semana cultural, de curtição no universo paralelo que constitui a língua e o modo de vida húngaros. Na volta, no aeroporto, havia um grupo de soldados norte-americanos. Não sou muito boa em números, mas creio que eram cerca de 200 homens. Visto que estou sempre noticiando a situação da Guerra no Iraque e as diárias matanças em Bagdá, não resisti e logo tratei de descobrir de onde vinham e para onde iam. Ao confirmar a já aguardada resposta "We are going to Iraq" desencadeou-se um burbulhar de questionamentos em minha humilde existência. Mas quem são estes homens, dos quais muitos ainda meninos? Será que voltam de lá? O que levam consigo? O que deixam para trás?




Soldados norte-americanos, na fila de embarque para o Iraque. Qual será o destino real desta tropa?



Apesar da situação 'a caminho da guerra', eles não traziam um semblante triste ou pesado. Pelo contrário, a resposta me fora dada com uma generosa dose de orgulho da 'missão Iraque'. Ao meu redor, os transeuntes do aeroporto de Budapeste não pareciam comovidos ou meditabundos. Parecia um dia normal, normal demais!

Foram cerca de 40 minutos observando tropa e passantes para, enfim, acalmar os neurônios com um consenso pessoal. Não posso ser a louca desta história. Ou pode a guerra ser encarada com tanta naturalidade? Será que entendi direito? Estaria o mundo perdido? O que devemos fazer, aceitar a situação? Creio que manter a capacidade de se indignar, embora não seja suficiente, ainda é a melhor opção. Pelo menos para mim.

Ao criar este blog faço um convite a você: dividir pensamentos. Muitas vezes sobre a dureza do planeta que criamos ou herdamos. Mas também, e porque não, sobre o que de pink se passar por aí. Hoje, a vida cor-de-rosa fica só nos caracteres. Embarque comigo nesta viagem easy rider e vamos torcer para que amanhã a diversão possa ser o 'tema do dia'.