terça-feira, 25 de março de 2008

Trânsito


Hoje li num adesivo colado num carro:

"Marriage is the only war in witch you have to sleep with the enemy".

Assim mesmo, escrito em vermelho. Cada um com seus problemas!


Amanhã viajo para a cidade de Lobito, também no litoral. Dizem que são praias lindas.


Estarei por alguns dias sem internet, então o blog ficará desatualizado. A partir do final de semana, meu moden deve chegar e aí volto a dar notícias.

Estes primeiros dias em Luanda foram muito cansativos, sempre levantando às sete da manhã e trabalhando até pelo menos 19 horas.

Uma outra caracterísctia impressionante da capital é o trânsio congestionado. O carro praticamente não chega a trafegar acima dos 60km/h. Creio que a razão seja o fato de que as ruas, mesmo no centro da cidade, não comportam grandes volumes de veículos - tendo apenas uma pista em cada mão de direção. Além disso, a falta de asfalto em muitos trechos faz com que, mesmo sem trânsito, seja impossível trafegar na velocidade desejada. Assim, leva-se uma hora para percorrer um pequeno trajeto.

Adiante contarei sobre a comida. Prometeram-me três dias de diarréia que, graças a Deus, ainda não chegaram.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Duas Luandas


Dizem que o Brasil é o país da desigualdade social. Sempre concordei com isso, até porque o contraste é visível. Mas Luanda consegue ser ainda mais desigual e assustadora neste quesito. Digo Luanda, porque ainda não vi outras cidades angolanas.


A capital assusta quem chega. Mesmo nos bairros mais nobres, muito lixo nas ruas. A coleta de lixo faz parte da história recente da cidade, começou há apenas dois anos. Poucas ruas são asfaltadas, apenas as vias principais. A maioria é de terra, com buracos e nenhuma estrutura. A cidade não tem sistema de saneamento. As obras estão sendo feitas agora, pode-se vê-las nas ruas, e a começar pela parte mais rica da cidade – e não se pode afirmar que chegarão à periferia.


O mal cheiro é forte. Não para os que transitam em carros de luxo com ar condicionado. Mas uma caminhada pode dar a impressão de um passeio pelo lixão. E os preços são assustadores. Mais de dez dólares por um simples almoço a quilo. Aluguéis astronômicos, dizem as más línguas, e por aí vai...


Um saída do centro da cidade e a sensação é de estar no interiorzão do Brasil. Na foto você vê as lojas nessas regiões um pouco mais afastadas, mas ainda em Luanda.

Museu Nacional da Escravatura



Parte da história dos escravos angolanos, exportados pelos portugueses a partir do século XVII, está preservada no Museu Nacional da Escravatura, em Luanda.

Localizado no bairro de Benfica, o acervo ocupa uma antiga casa que pertenceu a portugueses e por onde os escravos passavam para serem batizados antes de embarcar.

Entre os documentos do sofrimento dos negros, estão fotografias, esculturas e objetos utilizados na punição dos escravos – como palmatórias e troncos. Também uma pia batismal e estatísticas da exportação da época, além de mapas da rota dos navios negreiros, podem ser vistos no local.

A entrada é gratuita. O museu fica à beira mar e é o limite entre duas lindas praias.

A visita foi uma parte do roteiro de nosso dia ontem, que incluiu uma feira de artesanato enlouquecedora e um moderno shopping.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Fechando a mala

O que levar para Angola? Esta pergunta tirou o meu sono dias a fio. Mas, aos poucos, fui esclarecendo minhas dúvidas a respeito e acabei descobrindo o que há de ser indispensável.
No final da viagem vou retificar se as informações adquiridas procedem. A princípio, estou levando:

- velas de citronela – para espantar possíveis e aguardados mosquitos transmissores de malária do quarto;
- 600ml de repelente – para espantar o mosquito de mim!
- meu kit de remédios básicos - para dor, gripe e estômago;
- gel desinfetante – para lavar as mãos caso não tenha água (situação crítica);
- um rolo de papel higiênico – porque fazer xixi e não enxugar não existe!!!!
- o material que será usado no curso que darei;
- alguns livros sobre Angola que não tive tempo de ler:
- meus equipamentos de trabalho - note book, microfone, gravador, fitas, cabos, câmera fotográfica, baterias e carregadores;
- toalha de banho e roupa de cama;
- Além disso, roupas frescas e sem decotes, a necessaire com os produtos de higiene pessoal, bijoux e cinco pares de sapatos (rasteira, havaianas, sapato social, sandália com saltinho e tênis – acredite, melhorei muito com relação a sapatos).

Peso permitido: 35kg.
Peso total das bagagens: 31,1 kg – milagre, não precisei pagar excesso :)

Para jornalistas que pretendem trabalhar em Angola, é imprescindível tirar a carteira internacional de jornalistas. Sim, brasileiros precisam de visto para entrar no país e também vacina contra Febre Amarela registrada no cartão internacional de vacinação.

O vôo sai do Rio de Janeiro, três vezes por semana. O check in começa com cinco horas de antecedência e caso você realmente queira embarcar é recomendável chegar cedo ao aeroporto para não sofrer o drama do overbook.

Caso alguém o aguarde em Luanda, como é o meu caso, a pessoa estará do lado de fora do aeroporto, uma vez que quem não vai viajar não pode entrar no local. Vai entender...

Novo destino, novo mundo

Luanda, baía com porto ao fundo.

Sair do Brasil com destino à Alemanha, em 2006, foi uma experiência nova e cheia de expectativas positivas. Apesar de todas as diferenças existentes entre o Brasil e a Europa, havia porém algo de familiar no velho continente. Talvez um quê de brasilidade por lá, quem sabe uma pitada de europeidade por aqui.

Depois de visitar Estados Unidos e vários países da Europa, inclusive do leste, confesso que cruzar fronteiras já não tinha o mesmo gosto. Com o inglês e o alemão na ponta da língua ou um toque de espanhol no português, há muito, o frio na barriga, o medo do inesperado ou a ansiedade já não tomavam mais conta de meu espírito desbravador.

Talvez porque os húngaros se comuniquem bem por mímica, ou quem sabe porque as línguas do amor, da cachaça e do dinheiro sejam mesmo universais.

Mas quando a proposta de trabalho em Angola se concretizou, um cheirinho de novidade voltou a tomar conta do ar. Voltei a ser marinheira de primeira viagem, a me sentir passarinho fora do ninho, o cisne em meio ao bando de patos. Uma brasileira prestes a ingressar no universo África.

Nos últimos dois anos, vinha trabalhando com temas realcionados ao continente africano e ainda assim sentia-me totalmente desavisada, desconhecedora da cultura e do mundo afro em sua profundidade. Empenhei-me em leituras pesadas sobre política, leis e costumes angolanos, esforço que muito reforçou minha curiosidade.

Assim, decidi reativar este blog com o objetivo de registrar o que está por vir e dividir com possíveis interessados esta nova aventura. Apertem os cintos, o vôo 742 da TAAG, Rio de Janeiro-Luanda, aguarda autorização para decolar e estamos a bordo!