quinta-feira, 12 de abril de 2007

Oh, Minas Gerais

Antes de vir para a Alemanha, tentei trabalhar ou continuar meus estudos com bolsa nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha, na África, na Índia e no Canadá. Sonhava com a "experiência internacional".

Não consegui. Sempre recebia aqueles e-mails ou cartas informando "você não foi selecionada". Já derramei rios de lágriams por causa disso.

Mas aí, descobri a Alemanha e ela abriu suas portas para mim e continua abrindo. Depois de cumprir com sucesso três contratos na Deutsche Welle, de ter sido a jornalista convidada pela Rádio WDR para analisar as perspectivas das eleições presidencias brasileiras em 2006, minha mais recente conquista é uma bolsa de estudos da Fundação Heinz Kühn.

Em Colônia, às margens do Reno. Esta cidade é a minha paixão na Alemanha. Sou Feliz aqui.


Isso significa que Minas Gerais também está conquistando um espaço na Alemanha e tenho um enorme orgulho disso porque em 25 anos de existência da Fundação, sou a primeira bolsista mineira. Também na Deustche Welle me sinto uma cicerone dos radialistas brasileiros, uma vez que em 23 anos do departamento de rádio em português para a África, sou a primeira brasileira a apresentar as emissões.

Então, as conquistas que o meu país não me permitiu, estou alcançando aqui. Sorte? Não concordo. Porque tudo é fruto de muito trabalho. E se você conhece um jornalista brasileiro desempregado, mas que está sempre estudando e trabalhando, conte a minha história para ele. Para motivá-lo.

Um dia, encontrei na Praça da Savassi (uma das mais movimentadas de BH) um colega de universidade. Deu tristeza. Ele estava vendendo Enciclópédias Barsa. Sabe, esse cara tem tudo para rasgar o diploma. Já tentou tantas coisas e não deu certo.

Então, se por um lado vejo que persisti e alcancei, por outro ficam claras para mim as dificuldades que nós brasileiros precisamos encarar para obter conquistas básicas - como trabalhar na área de formação. Porque quem nasce no primeiro mundo, não precisa "esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque". Quero dizer, o cara vai pra escola, paga pelo governo. se forma quase aos 30 anos de idade, já com mestrado, e arruma um emprego na área dele. Não tem engenheiro vendendo salgado para sustentar a família.

Nada contra os engenheiros que vendem salgado, pelo contrário. São vencedores, driblaram o Estado. Mas é que isso no Brasil enche o s...

Enfim, sou e sempre serei grata à Alemanha, com todos os defeitos. É um país frio? É. O povo é frio? É. É difícil ficar longe da família? É. Sempre serei uma estrangeira aqui? Sim. Mas é daqui que vou levar a bagagem que talvez vá dar o peso necessário ao meu currículo e abrir outras portas do corredor dos horrores que é o mercado de trabalho.

Isso, claro, além da língua que é uma loucura e da indiscutível bagagem pessoal, mas aí já é assunto para um outro dia de sol.

3 comentários:

Denise disse...

Legal, Cris! Parabéns!
Me identifiquei com esse teu texto. A Alemanha também abriu as portas pra mim, e serei eternamente grata por isso.
Boa sorte!

Meiry Bezerra disse...

Oi Cris, tudo bem?
Tb sou jornalista e brasileira.. a diferença é que não sou mineira e ainda não consegui uma bolsa p/ a Fundação Heinz Kühn, rsrs
Estarei de férias na Alemanha (Munique) no mês de junho.. vou a passeio (minha irmã mora numa vila perto de Munique) mas estou vendo um curso de alemão durante o período. Tenho muuuito interesse em conhecer o País pensando em passar uma temporada estudando e trabalhando aí futuramente.
Ano passado quase me inscrevi na seleção da Fundação Heinz Kühn, mas ainda não estava preparada. Quem sabe agora em 2008...
Gostei de conhecer sua história, desejo muito sucesso a vc.
Se puder me passar seu e-mail, ficaria contente em trocar informações com vc sobre os trabalhos da Fundação, etc.
Abs brasileiro!!

(meirybezerra@gmail.com)

mistura disse...

Oi Cris!!!
Me identifiquei muito com seu texto, tb sou jornalista e brasileira e no momento desempregada...
Achei o seu blog no google ao procurar mais informações sobre a Fundação Heinz Kühn.
Não sei explicar bem o porque, mas me encantei pela Alemanha, e tenho muita vontade de conhecer a Alemanha, estudar alemão e quem sabe trabalhar aí...
E por isso queria trocar informações c vc sobre como é a vida aí, o diferencial para conseguir ser selecionada para a bolsa da fundação...meu e-mail é: etirovi@yahoo.com.br
Beijos
Eliete