sábado, 19 de maio de 2007

Rococó

Durante meses, em meu percusso de trabalho Colônia-Bonn, passei em frente ao Palácio de Brühl - residência do príncipe Clemens August.

Só no final de abril fiz a primeira visita a este que é um dos patrimônios históricos da Alemanha, tombado pela Unesco.

Foi uma boa escolha, já que o jardim deste castelo é um maravilhoso exemplar da arquitetura clássica francesa e estamos na primavera.

O caso é que olhando por fora, me sentia atraída, mas nao percebia como este é um lugar especial.

Bem, bastou a primeira visita para compreender o porquê. O palácio de Augustsburg é um dos mais belos exemplos da arquitetura de palácios do século XVIII. Figura entre as primeiras criações relevantes do estilo rococó e durante mais de meio século serviu de modelo para um grande número de residências reais alemãs.

É resultado da reforma das ruínas do castelo que servia de residência para os arcebispos de Colônia, atendentdo à vontade de Clemens August. O local é estratégico, fica metade do caminho entre Bonn e Colonia, para comodidade do príncipe que tinha sua residência oficial em Bonn. Com o transporte precário do século XVIII, Brühl foi uma boa solução.

Demorou mais de 40 anos para terminar a reforma e o príncipe morreu antes de ver a obra concluída. Lá dentro é possível compreender os motivos da demora.

Não é permitido fotografar por dentro, mas há uma escadaria que é a coisa mais linda do mundo! Toda trabalhada, do corrimão às paredes e ao teto, uma obra de arte de encher os olhos que contou com a contribuição de diversos artistas e arquitetos. Tive saudades das aulas de literatura onde tentaram, milhares de vezes, me fazer compreender e me apaixonar pelo rococó. Só agora foi possível para mim. Quis ser a rainha!

Um detalhe interessante que a guia nos explica é que Clemens August ficava até três meses sem tomar banho. Gente, achei que tinha entendido errado, mas é isso mesmo. No século XVIII, segundo a guia, as pessoas acreditavam que a água trazia doenças. Por isso, neste palácio não há banheiros. Uma banheira ficava guardada e de três em três meses era usada para o banho do August. Mais do que água, o fofo se lavava com mel e no resto dos dias, usava cremes para a higiene pessoal. Devia feder horores...

E para as outras "necessidades", outra curiosidade chocante: eram usados vãos próximos às janelas. Um cortina garantia a intimidade e vasilhas ficavam lá, à espera do usuário - inclusive nas festas.

O palácio também não tem cozinha. A comida era feita em outra construção do lado de fora e trazida na hora das refeições. Sim, acabava sendo servida, na maioria das vezes, fria. Mas, isso era comum na época e as pessoas não se importavam.

O palácio pertenceu a vários reis e nobres.

O August era exótico e mandou fazer um jogo de porcela especialmente para entreter os convidados. Os pratos são decorados com insetos em alto relevo para assustar as damas e abrir espaço para as piadinhas do príncipe. Criativo, não?

Até que a parte da comida ainda vai, mas a do banho, cá entre nós...

Na Segunda Guerra Mundial o palácio foi atingido e seriamente danificado. Logo em seguida começou a ser recuperado. Até hoje passa por frequentes restaurações. Uma visita gostosa, uma viagem no tempo e pelo mundo dos nobres é uma das maravilhas da Alemanha.

Nota: ****

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